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Rio, quarta-feira,20/09/2016

John William Godward - Dolce Far Niente (1904)

Nada como essa crônica de minha querida Cecília Meireles para ilustrar meu sentimento de reencontro com as águas na hidroterapia que comecei hoje ! Leiam ! Fabulosa ! E como ela bem disse : as águas são mais falantes que as estátuas ! E com as águas comecei a falar também ...


CONVERSA COM AS ÁGUAS
Na verdade, eu ia conversar com a estátua que fica no meio da praça, alta e solene, toda cercada de símbolos. Àquela hora da tarde as crianças voltavam das escolas próximas; crianças do curso primário e do secundário: cachos negros, tranças louras, uma grande festa de risos vermelhos e róseos, beirando os gramados e subindo musicalmente para as nuvens, entre as montanhas e o mar.
Certamente, a estátua teria coisas interessantes a dizer-me, sempre ali parada, vendo deslizar todos os dias à mesma hora tanta criatura engraçada cheia de ciência nos livros e de alegria no rosto – pois eu, só meia hora num banco, já sentia um tumulto imenso de idéias dentro de mim. E isto sem falar que os olhos das estátuas são olhos eternos, e vêem, com seu olhar imóvel, todas as coisas que se agitam na nossa mobilidade triste de prisioneiros da vida misteriosa.
A minha dificuldade na conversa decorreu simplesmente da diferença de nível: a estátua se alcandorava num pedestal majestoso, e eu, bicho humilde e mortal, apenas avultava entre as folhas e as flores. Minha voz, esta que uso todos os dias sem alto-falante, não poderia chegar tão longe. E, além disso, as estátuas têm ouvidos de bronze.
Mas, quando se tem vontade de conversar, qualquer interlocutor pode servir. E, quando abaixei meus olhos melancólicos, encontrei as águas, que são o contrário das estátuas, por fluidas e transparentes, e cuja eternidade não é a do estacionamento, mas a da sucessão. As águas são mais falantes que as estátuas: estão sempre murmurando, cantando,sorrindo,chorando. E, se não observam durante muito tempo – por sua natureza andarilha-, observam muitas coisas, porque atravessam o mundo das nuvens à terra e de um a outro oceano. E com as águas comecei a falar ...”
(Cecília Meireles.Coleção Melhores Crônicas – Editora Global, pg.110 )



Hoje foi um dia pra lá de prazeroso minha gente amada ! Comecei meu tratamento com hidroterapia. Desde pequena tenho intimidade com a água e sempre nadei muito bem em piscinas e adoro o mar. Considero-me um ser aquático por natureza e o oceano sempre me fascinou.
Hoje Luiz e Monica me receberam na piscina e eu já paramentada e tudo comecei os exercícios fazendo o que mais me relaxa : boiar. Mas essa bóia não foi uma ação só de relaxamento. Tive de me concentrar em fazer diversos movimentos na posição de barriga para cima na água e eles exigiram pela primeira vez que eu entasse fazer uma espécie de tesoura com as pernas esticadas, abrindo e fechando as pernas. Surpreendei-me o fato de como isso dentro dágua parece ser um movimento bem fácil de fazer e eu controlar. A minha perna direita nesse movimento nem parecia sentir o esforço, era como se quem tivesse movimentando ela fosse a força e o empuxo da água da piscina e não eu própria.
E foi muito divertido com as bincadeiras que meus incríveis fisioterapeutas Luiz e sua auxilia Monica faziam enquanto me estimulavam nesses exercícios. Acabei exausta, mas feliz pois comecei pela primeira vez a sentir que estava controlando melhor os movimentos das pernas. Impressionante o progresso de hoje. Esses meus fisioterapeutas são mesmo fantásticos !

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